quinta-feira, 30 de junho de 2011

leitura











“O desenvolvimento de interesses e hábitos permanentes de leitura é um processo constante, que começa no lar, aperfeiçoa-se sistematicamente na escola e continua pela vida afora, através das influências da atmosfera cultural geral dos esforços conscientes da educação e das escolas públicas, a oportunidade de ler, ou seja, a disponibilidade de livros representa uma papel decisivo no despertar interesses de leitura.”

Richard BAMBERGER.
Como incentivar o hábito da leitura.

sábado, 28 de maio de 2011

quinta-feira, 26 de maio de 2011

BURITICUPU - Sua história, geografia e características gerais.

Capítulo I – A CHEGADA DOS ÍNDIOS

Antes de nossa região possuir o nome atual e mesmo antes de se ter concebido a idéia de implantar um projeto de colonização, a região já era habitada por tribos indígenas.
Foi no ano de 1941 que chegaram os índios Guajajaras, os quais foram habitar uma região à beira do rio Zutiua. Parte da tribo permaneceu de um lado do rio; a outra, porém, atravessou o rio, instalando suas habitações no local que mais tarde viria a se transformar no município de Arame.
Esses índios foram trazidos pelo extinto SPI (Serviço de Proteção ao Índio), procedentes de vários municípios maranhenses, principalmente de Barra do Corda, Grajaú, Vitória do Mearim, Ararí, Santa Inês e Santa Luzia, sendo que todos gostaram da terra que acabaram de conquistar.

Uma surpresa

Ao chegar à região, os Guajajaras viram o que jamais imaginaram: outros índios já habitavam a região. Tratava-se de índios primitivos das tribos Tupi-Guarani e Guajá, que haviam fugido do litoral maranhense para o interior do Estado, aproximadamente no ano de 1650. Naquela época, os portugueses desrespeitavam a vida comunitária dos povos indígenas que viviam em qualquer parte do Brasil e, no Maranhão, não era diferente. Os colonizadores entravam nas aldeias, roubavam, destruíam as roças dos nativos e, pelo chicote, obrigavam-nos ao trabalho escravo. Essa situação era tão dura que muitos morriam de doenças ou de tristeza e desgosto.
Sem outros refúgios, esses primitivos, depois de longas caminhadas, chegaram à essa região pré-amazônica, onde escolheram a citada área, por ter grandes reservas florestais. O certo é que até hoje alguns índios continuam morando em nosso município. Isolados de tudo, eles vivem nas matas que fazem divisa com o município de Amarante (MA). Trata-se de um grupo formado por aproximadamente 35 pessoas que não têm contato algum com brancos. Sobrevivem normalmente da caça e da pesca, coletam frutos, plantas e mel silvestre e não têm o hábito de fumar. Suas habitações são coletivas, feitas de madeira e cobertas de folhas, de forma bastante provisória, pois são nômades, deslocando-se freqüentemente em busca de alimentos, e, ao mesmo tempo fugindo dos madeireiros. Quando possível, escolhem locais próximos de água, e de difícil acesso, sempre orientados pelo seu cacique.
O Dr. Kilmer Freitas Costa, homem de relevantes serviços prestados durante o período da colonização como superintendente da COMARCO, conta que, na época da implantação do projeto de colonização, no ano de 1973, aconteceram vários fatos estranhos, por ocasião das construções das estradas vicinais da colônia. Seus depoimentos dão conta de que, por várias vezes, quando os tratoristas iam apanhar as suas máquinas, que haviam pernoitado no local do trabalho, encontravam-nas totalmente amarradas de cipós, inclusive com os cipós mais resistentes encontrados naquelas imensas florestas. Parece que a intenção dos autores desse feito era mesmo deter aquelas barulhentas e pesadas máquinas que haviam feito um incômodo barulho durante o dia todo.
Diante das inúmeras ocorrências noturnas, às vezes em locais distantes de qualquer lugarejo, supõe-se que os autores dessas façanhas eram os índios da tribo Tupi-Guarani. Irritados e talvez amedrontados com aquelas máquinas, esses índios tratavam os tratores como animais barulhentos e ferozes, que representavam para eles uma forte ameaça e que só à noite, enquanto dormiam, podiam ser dominados. O que corrobora a hipótese de que eram mesmo os índios Tupis-Guaranis que amarravam os tratores é o fato de insistentemente amarrarem aqueles enormes tratores com tantos e complicados nós, mesmo em noites chuvosas e frias. Na verdade, somente pessoas de outra cultura podiam chegar a tal ponto.

Esses índios primitivos em extinção já foram vistos várias vezes por vaqueiros, caçadores e madeireiros, bem como por índios Guajajaras. Por último, por volta das 10h do dia 14 de agosto de 2003, os senhores Adão Pires da Silva e Raimundo Barroso viram não apenas alguns vestígios deixados pelos Guajás como também avistaram alguns deles próprios. Segundo depoimentos daqueles madeireiros, que rapidamente fugiram da reserva, aqueles aborígines de longos cabelos assoviavam iguais a macacos, na intenção de se aproximarem e, em seguida, atacarem os estranhos visitantes brancos. Ao fugirem, aqueles dois exploradores ainda conseguiram ver um bebê, recém-nascido colocado no chão sobre folhagens. Sabe-se também que os Guajás tem grande capacidade de defesa, são: velozes, altos, sabem como ninguém, imitar animais selvagens-, inclusive onças. Quando se vêem em perigos, dão esturros ameaçadores, como se fossem onças, inibindo de vez, todo e qualquer estranho que estejam por perto. O indígena Arão Guajajara, residente na Terra Indígena Araribóia, também já viu vestígios dos primitivos. Em janeiro de 2005, durante suas andanças naquelas florestas, Arão levou um susto ao ver à beira de uma lagoa, enormes pegadas, pelo tamanho, Arão acredita que se trata mesmo de índios primitivos da tribo Guajá.
Um fato curioso, que muito chama a atenção, é que os índios da tribo Guajajara temem e fogem ao verem os índios primitivos. Embora sabendo de sua existência, a FUNAI não tem nenhum controle sobre os primitivos. A existência de índios primitivos em nossa região é confirmada também no livro de Geografia do Brasil da Coleção Horizontes (5ª série), onde se observa o mapa de sua distribuição no território do país.

Os Guajajaras

A tribo dos Guajajaras ou Thenetatha se divide em várias aldeias, como: Lago Branco, Barro Branco, Angico Torto, Betel, Jacu e Marajá. Eles falam a língua tupi e a língua portuguesa, suas terras compreendem uma área de 413.000ha, sendo chamada de Araribóia. Dentre as aldeias, a mais antiga é a Tiririca, fundada em 1941 e cujo líder maior é o velho cacique Felipe Soares Guajajara. Sua alimentação consiste de produtos da caça e da pesca, frutas e legumes. A terra dos índios Guajajaras possui uma lagoa com aproximadamente 18km de extensão, chamada de Lagoa Cumprida. Eles se vestem como os brancos e usam canoas para pesca e lazer.

fonte: livro 2ª edição - Buriticupu - Sua história, geografia e características gerais. Do antigo projeto de colonização ao progressista município maranhense
ISAÍAS NERES AGUIAR
Imperatriz – MA
2005

Um caso na história de Buriticupu - MA

O caso “Fogoió”

Havia, entre os colonos, um homem de nome Antônio, mais tarde conhecido por “Fogoió”. Não era colono e havia chegado na colônia havia pouco tempo. Além disso, era um sujeito estranho, tinha aproximadamente 25 anos de idade e era casado com a Srª Raimunda Matos. “Fogoió” ficou conhecido por todos os colonos por ser um homem bastante corajoso e de confusões misteriosas – ele entrava em cada enrascada! “Antonio Fogoió” acabou conquistando a amizade e a confiança dos colonos, os quais, tratava-o como fiel escudeiro.
Certo dia, “Fogoió”, segundo seus próprios relatos, teria recebido uma proposta do Delegado “Furrupa” para matar Sebastião Alvino “Seba”, delegado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da localidade, com quem o delegado havia tido um desentendimento. “Fogoió” não aceitou e logo tratou de se reunir com o Sindicato, onde contou tudo sobre os planos de “Furrupa”. E ainda foi além: garantiu a todos que teria coragem de provar tudo na frente do temido delegado.
A reação de Furrupa e um grande duelo
Em pouco tempo, “Furrupa” já sabia de tudo o que havia acontecido na reunião do Sindicato. Sabia, inclusive, do desafio feito por “Fogoió”. “Furrupa” se irritou bastante e não pensou duas vezes: determinou a prisão de “Fogoió”.
Coube ao 3º Sargento / PM Fernandes a missão de prender o polêmico “Fogoió”, com quem tinha uma estreita amizade. Aproveitando da amizade que tinha com “Fogoió”, o militar garantiu a este que iria apenas tomar um leve depoimento e, em seguida, liberá-lo. O Sargento Fernandes conseguiu facilmente persuadi-lo a aceitar a proposta, em seguida o prendeu e o encaminhou até o restaurante da COMARCO, onde, num de seus compartimentos, o deixou preso, sem sequer ouvi-lo.
A fuga
Não demorou muito, “Fogoió” estava solto – havia quebrado o local onde estava preso e escapado sem ser visto. Foi até sua residência, armou-se de uma faca e, trajando bermudas, procurou localizar o Sargento Fernandes. Bastante revoltado e disposto a brigar, conseguiu encontrá-lo, logo o chamando de covarde e convidando-o para briga. As provocações foram tantas e tamanhas a ponto de “Fogoió” desafiar o Sargento a sacar seu revólver para ver quem morreria primeiro. Quem presenciou o caso afirma que o Sargento Fernandes foi literalmente humilhado e, de tanto medo, chegou a chorar.
Para concluir a sessão do dia, “Fogoió” declarou que contaria “tudo o que sabia”. Ele se referia, possivelmente, às arbitrariedades daquele policial. Depois de tudo, pediu ao Sargento Fernandes que chamasse o seu superior, Sargento “Furrupa”.
O encontro de Furrupa com Fogoió
Ainda acreditando na possibilidade de contornar a situação, o Sargento “Furrupa” marcou um encontro com “Fogoió” na residência de um colono chamado Nizário, onde seria feito um acordo para acabar com a questão. “Fogoió” atendeu ao convite: foi até a casa do colono Nizário. No entanto, quem de longe avistou “Fogoió”, logo percebeu que ele não vinha com jeito de quem queria acordo, pois não trajava roupas adequadas para atender ao chamado de um delegado: vinha de bermudas, sem camisa e portando uma faca. “Fogoió” entrou na casa de Nizário e não permitiu sequer que “Furrupa” abrisse a boca. Muito desajeitado, “Furrupa” sofrera a mesma sensação do seu colega Fernandes, que o estava acompanhando: os dois militares tremiam ao verem “Fogoió” ameaçá-los, brandindo sua faca na direção deles, insistindo em pedir que os policiais sacassem suas armas. Os policiais conseguiram sair da casa e retornaram ao local do presídio.
“Fogoió” em apuros
O Delegado não desistiu: foi até ao presídio, reuniu-se com sua equipe de policiais formada pelo Sargento Fernandes, pelos Cabos Oliveira, Jorge e Baião e pelos Soldados Canuto, Sousa, Potim e outros. Juntos, eles montaram um novo plano para prender “Fogoió”. Tudo pronto, homens em ação!
A polícia não imaginava que “Fogoió” estivesse em sua casa, sem a menor preocupação. Quando soube que a polícia estava à sua procura, respondeu: “Estou em minha casa esperando por eles”. Sua casa era humilde, feita de barro, com portas de madeira e coberta de cavacos, localizada à Rua da Liberdade.
A equipe do delegado, formada por oito homens, chegou à casa de “Fogoió”. Este, ao ouvir o barulho da C10 vermelha da COMARCO, entrou em sua casa, subiu numa parede frontal e, com uma espingarda de cartucho, posicionou-se estrategicamente à espera da polícia. Sua casa foi cercada, ouviu voz de prisão, mas resistiu. Repetidas vezes ouviu a expressão “têje preso”. Mas nada do “Fogoió” se entregar.
O Sargento gritou: “Entregue-se ou morra”. “Fogoió” não tinha para onde fugir e nem pensava na hipótese de se render. Então, desta vez quem bradou foi ele, dizendo: “Vocês têm armas poderosas, eu destranquei a porta, entrem! Atirem em mim, a porta está aberta”. Na verdade, ele havia destrancado a porta, mas a polícia não acreditava no que via e ouvia, passava por uma situação jamais imaginada. Foram 90 minutos de tensão: os moradores formavam uma grande multidão nas proximidades do cerco policial, todos obviamente assustados com o problema. Para evitar uma tragédia, alguns colonos entraram em ação, intermediando uma negociação entre as partes. Os colonos Nizário, Abdias, Chico Gabriel, Branco, Chico, Raimundo Barbalho, José Barbalho e outros pediram ao Sargento “Furrupa” que retirasse sua tropa, pois, se houvesse tiroteio, colocaria em risco a segurança de muitos moradores.
Atendendo ao pedido, “Furrupa” volta à Delegacia, juntamente com todos os policiais. Ao passo que “Fogoió” vai até seus vizinhos e exibe os cartuchos calibre 16 que usaria num possível confronto. Para ele, era como se nada de excepcional tivesse acontecido.
O combate final
Para o estranho “Fogoió”, a rotina era a mesma: sair vestido de bermuda com uma faca à mostra na cintura e falar mal de “Furrupa”. Porém, para o delegado, era impossível se conformar com aquela humilhante situação.
Uma semana após o último confronto, “Furrupa” retornava de São Luís. Havia mantido contato com seus comandantes, entregando inclusive o relatório dos últimos acontecimentos, recheados de ocorrências raras, promovidas por um sujeito no mínimo esquisito, chamado apenas de “Fogoió”.
Era um sábado, por volta das 17h 30min, quando se ouviram estrondosas rajadas de metralhadoras. Os colonos, não acostumados com tais barulhos, logo estranharam, comentando timidamente sobre o assunto “Fogoió”. Já sabiam que o delegado não havia gostado nem um pouco da intercessão dos colonos na retirada da polícia da casa de “Fogoió”.
Furrupa, que havia viajado para a capital do Estado, voltava agora investido de total autoridade para resolver o caso. No dia seguinte, domingo, Fogoió saiu normalmente pelas ruas largas da colônia. Como era final de semana, havia alguns colonos conversando na barbearia de seu José Barbalho, quando de repente chegou Fogoió para participar do bate-papo. Porém, não houve tempo: a polícia estava à sua procura. Desta feita, eram doze policiais divididos em dois grupos, comandados pelos Sargentos Furrupa e Fernandes.
Ao chegarem, apertados na caminhonete vermelha C10, cercaram o fugitivo e lhe deram ordem de prisão. “Que situação, Fogoió! Agora sim, ficou difícil” – imaginavam os policiais. Fogoió, mais uma vez, surpreendeu a todos: resistiu à prisão, sacou da faca e desafiou toda a polícia. “É incrível!” – diziam trêmulos e à distância os moradores que viam a corajosa atitude de Fogoió. Nessa hora, Furrupa ordenou que todos saíssem de perto, pois ele iria definitivamente resolver a questão, iria atirar. Saíram todos, obviamente, e quando Fogoió estava sozinho dentro da casa do Sr. José Barbalho, não se intimidando com as ameaças, o delegado, a aproximadamente seis metros de Fogoió, acionou decididamente o gatilho. Matou? Não: o tiro foi certeiro numa forquilha no centro da casa.
Em seguida, Fogoió entrou num quarto da casa, onde algumas mulheres se escondiam do confronto, protegendo-se de possíveis balas perdidas. Foi quando ele ouviu a polícia ameaçar matar a todos que estavam dentro da casa. Nessa hora, Fogoió pediu que a polícia não fizesse aquilo, pois ele iria se entregar. Para a felicidade daquelas mulheres e de seus familiares, Fogoió saiu do quarto, jogou a faca aos pés dos policiais e se entregou. Em seguida, foi algemado e conduzido para um local a aproximadamente 120 metros. Jogaram-no ao chão e ali começou um brutal espancamento. Eram coronhadas, chutes e socos – cada policial queria aplicar uma ‘porrada’ no recém-capturado. Com Fogoió dominado, todos ficaram corajosos.
Após alguns minutos, jogaram-no numa C10 e o conduziram até a prisão. Os policiais, não conformados com a prisão apenas de Fogoió, voltaram, depois de haverem percorrido uns 40m, para buscar alguns dos colonos que por ali estivessem e fossem solidários ao preso.
Fogoió sumiu
Na mesma noite, após ter sofrido mais espancamento e ter sido amarrado de cabeça para baixo, Fogoió conseguiu se livrar de todas as cordas, algemas e grades que o prendiam, deixando tudo isso na cadeia. Dizia-se que ele conhecia e praticava muitas rezas e acreditava muito nelas. O certo é que Fogoió fugiu por voltas das 19h 30min, tendo passado por um guarda que o vigiava, sem que este o visse. Quando os policiais perceberam que o preso tinha escapado, quase não acreditaram. Furrupa, então, já temendo novos confrontos com o seu imprevisível inimigo, se irritou bastante com os seus subordinados:
– A única solução seria recapturá-lo imediatamente, pois ele ainda deve estar por perto – frisou.
Em razão das pancadas que levou, Fogoió praticamente se arrastava. Ao passar por um outro policial, que se encontrava em frente a um circo, ele disse:
– Avisa ao Furrupa que eu estou solto!
Embora o local estivesse bem iluminado, quando a polícia se aproximou dele, faltou energia. Então o Fogoió se embrenhou na multidão e conseguiu desaparecer.
Em seguida, Fogoió contou com a solidariedade de muitos colonos e funcionários da COMARCO para sua fuga e seu tratamento de saúde. Ele ainda permaneceu no povoado por alguns dias, escondendo-se no sítio onde mais tarde seria instalado o posto da Polícia Rodoviária Federal.
Na época, vários colonos, temendo a reação do Sargento Furrupa, mudaram-se com suas famílias para outros municípios e até para fora do Maranhão, como foi o caso dos colonos: Francisco Gomes da Silva (Chico Roxo), Manoel Xandú, Sebastião Alvino (Seba), Luis Vieira da Silva (Luizinho), Nizário, e outros. Dias depois, o delegado soube que Fogoió estava sendo tratado na cidade de Rosário, sob os cuidados do importante político maranhense Ivar Saldanha.
Ao final de tudo, Furrupa dizia que, depois de muitos anos de polícia, jamais havia encontrado um problema tão complicado: “Esse Fogoió só pode é ter parte com o capeta” – concluía. Logo em seguida, o policial seria transferido para a cidade de Arame. Esse caso ocorreu no ano de 1975. No ano de 1985, “Antonio Fogoió” retornou à Buriticupu para rever seus amigos colonos, matar a saudade e contar novas aventuras vividas mundo à fora. O seu estado de saúde, em consequência das torturas sofridas já não era o mesmo. Reclamava de fortes dores no peito. Nessa rápida viagem, dizia está de passagem, com destino à Serra dos Carajás-, no Estado do Pará.

fonte: livro 2ª edição - Buriticupu - Sua história, geografia e características gerais. Do antigo projeto de colonização ao progressista município maranhense
ISAÍAS NERES AGUIAR
Imperatriz – MA
2005

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Obras do DNIT estão provocando o assoreamento do rio Buriticupu




As obras de recuperação da BR 222 executadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) estão provocando sérios problemas de assoreamento ao rio Buriticupu, principal afluente do rio Pindaré. O manancial nasce no município de Amarante do Maranhão, dentro da Terra Indígena Arariboia, (o único rio perene daquela terra, dos índios Guajá e Guajajara), e vem há muito tempo sofrendo dificuldade de sobrevivência.

Não resta dúvida de que as obras de recuperação da rodovia são de grande relevância para o País, para o Estado do Maranhão, e principalmente para essa região do Vale do Pindaré. No entanto, foram iniciadas exatamente durante o período chuvoso. Com isso, praticamente todos os serviços realizados pelas construtoras são levados pelas chuvas para o leito do rio. Os montes de terra espalhados ao longo das margens da BR 222 são transformados em toneladas de lama, que provocam o assoreamento e acarretam graves danos ambientais. Os moradores dos povoados Buritizinho e Vila São José, onde passa o rio são os que mais se preocupam com a situação atual e o destino do manancial.

Tudo isso tem acontecido sem que nenhuma autoridade tenha tomado algum tipo de providência para apurar as responsabilidades pela degradação ambiental do principal rio, que banha os municípios maranhenses de Buriticupu e Bom Jesus das Selvas, já que as atividades das empresas que estão executando essas obras são consideradas lesivas ao meio ambiente, conforme prevê o artigo 225, inciso VII e § 3º da Constituição Federal. A pena prevê, além de outras sanções administrativas, a reparação dos danos.

Para a execução dos serviços da BR 222 foram selecionados dois consórcios de empresas, o Egesa/Aterpa, que cuida da parte que vai da Santa Luzia até a entrada de Arame, e o Tamasa/SPA/Sanches Tripoloni, que cuida da segunda etapa, que vai até 10 quilômetros além de Bom Jesus das Selvas. O primeiro consórcio responde por R$ 175 milhões e o segundo, por R$ 174 milhões, o que totaliza R$ 349 milhões.

Além da diminuição do percurso, um dos principais objetivos do DNIT é a eliminação de curvas acentuadas, e as contenções para evitar erosões entre as cidades de Santa Luzia e Bom Jesus das Selvas. O trecho em obras tem 27 curvas acentuadas é uma ameaça para os motoristas, por isto vão ser eliminadas ou terão seu raio ampliado, a fim de que os motoristas possam fazer estas manobras com mais tranquilidade e segurança.



Isaias Neres Aguiar

Aluno de Licenciatura em Biologia do IFMA – Campus Buriticupu

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Núcleo Residencial da Vale e Buriticupu - MA

No ano de 1984, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) pretendia construir um conjunto residencial para os seus funcionários, numa área que fosse localizada de preferência nas proximidades da BR-222. A sede do Projeto de Colonização seria um excelente lugar para a construção do referido residencial. Para isso, restava apenas procurar a direção do Projeto de Colonização para solicitar a doação da área. Logo que encontraram os diretores do Projeto de Colonização e, assim, solicitaram a doação da área, a resposta foi não! Contrariados, pois tinham como quase certa a doação, que seria interessante para a comunidade local, que receberia grandes investimentos, deixaram o local com sentimentos de frustração. No local, foi instalada a serraria do empresário Jorge Antonio Fernandes.
Perplexos, os diretores da CVRD estranharam aquela inesperada atitude e lamentaram, dizendo: “Foi rejeitado um projeto que em todos os aspectos traria bons resultados para o povoado”. Na semana seguinte, durante uma conversa na Fazenda Verona entre engenheiros da CVRD e Jocélio, gerente da fazenda, foi tocado o assunto da cessão do terreno. Os engenheiros diziam não ter conseguido o terreno para a construção do residencial; o gerente perguntou, então, se a Fazenda Verona seria um local viável para aquele projeto. Após um rápido reconhecimento da área, constatou-se que sim, a área era viável para a construção do complexo residencial. Bastou apenas um telefonema para o proprietário da fazenda, o empresário e pecuarista Chico Rico, e tudo resolvido: ele doou 10ha de terra à CVRD.
O conjunto residencial é hoje uma realidade, um rico patrimônio construído no vizinho município de Bom Jesus das Selvas. É formado por bonitas residências, quadra de esporte, escola, posto telefônico e todas as ruas calçadas e arborizadas. Buriticupu ficou apenas com o prejuízo.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

DNIT está reformando BR-222 e custará R$ 250 milhões















As obras na rodovia abrangem os município de Santa Luzia do Tide, Buriticupu e Bom de Jesus das Selvas.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), está em obras de reforma e readequação da BR-222, a qual cruza Ceará, Pará, Piauí e Maranhão. O trecho no qual ocorrerão obras na rodovia – por vezes chamada de “rodovia da morte”, tal é o número de acidentes que nela têm lugar –, todavia, circunscreve-se apenas ao território maranhense: do município de Santa Luzia do Tide até 10 quilômetros após o município de Bom de Jesus das Selvas.


As obras terão três objetivos: diminuir o raio (tornar mais amenas) ou mesmo eliminar determinadas curvas mais bruscas, as quais abundam em tal trecho da BR-222; criar uma terceira faixa, à esquerda, em trechos de aclive, para que nela trafeguem veículos de carga, a fim de deixar mais livres as outras duas faixas para demais veículos; e restauração de todo ao asfaltamento do trecho, o qual não há não é reposto há 20 anos, nesse período tendo passado apenas por manutenções pontuais.


Não fosse o mero objetivo de otimização da pista, haveria ainda a necessidade premente de tais obras em razão do número de acidentes de trânsito que nela se dão. Só ao longo de 2009, a Polícia Rodoviária Federal registrou 287 acidentes. Desses, 201 tiveram ferimentos leves, 123 tiveram ferimentos graves e 68 morreram. A razão comumente apontada para tais índices elevados de acidentes com vítimas é a presença excessiva de curvas muito acentuadas ao longo da rodovia.


Segundo o chefe de engenharia do DNIT (seccional Maranhão), Leônidas Caldas, a licitação da obra já foi feito em Brasília (dois consórcios de empresas ficaram responsáveis por ela), o orçamento já foi aprovado, faltando somente ser homologada, de modo que ainda se inicie este ano, com previsão de término em 2012.


"Este trecho da BR-222 tem muitas curvas com o raio fora do padrão [do DNIT], o que representa riscos para o motorista. Esta é, então, uma obra que aproveitará essas correções para renovar o asfaltamento da rodovia e criar terceiras faixas para diminuir o risco de acidentes durante ultrapassagens", explica Leônidas Caldas.


O chefe de engenharia do DNIT afirma também que tais reformas não irão prejudicar o tráfego na BR-222 enquanto estiverem em andamento, e que essas mudanças em nada alterarão a extensão da rodovia.

terça-feira, 20 de abril de 2010

BURITICUPU – MA, Um passeio na sua história.

Viajando pela estrada de ferro Carajás tive a oportunidade de encontrar um grande amigo que durante a viagem de São Luis a Açailândia me emprestou um livro muito interessante de Isaias Neres Aguiar com o título de “BURITICUPU – Sua História e Suas Características... O Maranhão e o projeto pioneiro de colonização”, um título histórico e sócio-cultural muito importante para aqueles que gostam de aprender um pouco de nossa história e nossa gente.

No início o autor fala sobre os primeiros habitantes que não poderia deixar de ser os índios. Os guajajaras foram levados no ano de 1941 pelo extinto SPI (Serviço de Proteção ao Índio) e habitaram à beira do Rio Zutiua. O que a população não sabia até então é que a região já era habitada a muito tempo pelos índios das tribos Guajá e Tupi-guarani, que haviam fugidos do litoral maranhense à aproximadamente 350 anos. São índios primitivos que até hoje moram nas matas de Buriticupu e não tem contato algum com brancos, sobrevivem sobretudo da caça e da pesca, coletam frutos, plantas e mel silvestres e segundo os historiadores não tem hábito de fumar e, ainda mudam-se freqüentemente de lugar em busca de alimentos, geralmente em beiras de rios da região e já foram vistos algumas vezes por caçadores e pôr índios guajajaras, sendo que geralmente se mudam para não ter contato com estranhos. Um fato que me chamou atenção é que os índios guajajaras também temem os primitivos e se afastam com medo de conflitos entre ambas as tribos.

O fator predominantemente importante para a criação e colonização da região foi a criação da COMARCO (Companhia Maranhense de Colonização) que foi criada em 6 de dezembro de 1971 pelo então governador Pedro Neiva de Santana. No início estudos indicaram que aquela área era bastante propícia para a prática da agricultura e pecuária. Estabelecida a área para a colonização o governo do estado tratou de abrir a estrada MA-74 que mais tarde passou para o governo federal e foi registrada como BR-222. Em 1972 começou a ser discutido o nome do povoado a ser criado e os engenheiros da COMARCO descobriram que próximo ao rio conhecido por Barra da Jurema existiam bastante palmeiras de buriti e nas matas da região eram abundantes as árvores de cupu, foi só juntas os dois nomes e chegaram ao nome de BURITICUPU.

O primeiro administrador do povoado foi escolhido pelo governador com o apoio da COMARCO e se chamava Boileau Dantas Vanderley Filho. Logo após a sua chegada ele providenciou a construção das primeiras casas da região que foram erguidas com palhas de anajá. Em 1973 o governo do estado começou a cadastrar agricultores que queriam habitar a região para desenvolver a agricultura familiar e logo chegaram as primeiras mudanças. Um fato que é importante mencionar é que boa parte destas mudanças foram feitas pelo caminhoneiro Antonio José de Assis Braide onde o mesmo é hoje a figura política mais importante da região do Pindaré, onde já foi prefeito diversas vezes, elege sempre sua esposa Janice Braide e, até os dias atuais, elege todos os prefeitos da cidade de Santa Luzia do Tide.

O projeto de colonização ficou praticamente paralisado no governo de Nunes Freire que apenas inaugurou obras do governo anterior e cometeu diversos abusos, um deles foi à inauguração do hospital da colônia onde o mesmo em alto e bom tom falou para autoridades presente que “Não havia nenhuma necessidade de se construir um hospital tão grande dentro do mato”. Nesta época foi implantada a primeira delegacia de polícia de Buriticupu onde foi designado o Major Carlos Alberto Barateiro da Costa que era conhecido como “Major Bebeto” onde, devido o seu grande trabalho junto a comunidade foi para a cidade de Imperatriz-MA para assumir o cargo de interventor municipal. Logo depois foi nomeado para o cargo de delegado o Sargento Luis monteiro de Sousa, conhecido como sargento Furrupa que só era falado na sua ausência. Furrupa ficou conhecido em todo o Maranhão devido o seu jeito de trabalho que mandava espancar os presos, mandava matar e se achava o dono do povoado. Só que no seu caminho apareceu um senhor Antônio, 25 anos, conhecido como Fogoió que não tinha medo de nada e pôr diversas vezes desafiou o sargento Furrupa e seus oito homens para brigar, chegando a sacar sua peixeira e chamar todos de covarde. Fogoió foi preso diversas vezes e amarrado de cabeça para baixo, pois toda vez que era preso ele não passava nem duas horas preso e conseguia fugir.

O último problema entre o Sargento Furrupa e o Fogoió o mesmo foi espancado e algemado pé e mão, colocado em uma cela de cabeça para baixo e todo ensangüentado conseguiu fugir na mesma noite da delegacia, onde só tinha um policial de plantão. O sargento foi avisado na mesma noite e, sem querer acreditar, falou em meio a multidão que Fogoió só poderia ter pacto com o diabo, logo após sua fuga o mesmo nunca mais foi visto na região.

No dia 15 de março de 1979 acaba a era Nunes Freire e o projeto de colonização é reiniciado logo depois no Governo de João Castelo. Buriticupu. Voltou a crescer com a inauguração de escolas, abastecimento de água, açudes e distribuição de casas e terras para novos colonos habitarem a região. Em 1982 surge o primeiro político da história de Buriticupu, foi a lacrador Francisco Gomes Pinheiro, Chico Mudança, que foi eleito vereador do povoado no município de Santa Luzia do Tide que era o município antes do desmembramento.

Em 1983 acaba o grande governo de João Castelo e surge o governo de Luís Rocha onde o projeto de ocupação sofreria mais uma parada no andamento dos projetos. Só nesta época a extração de madeira, a agricultura e a pecuária já estava no auge e o povoado sofria um crescimento assustador com uma população aumentando a todo instante onde surgiu a feira do Chega-mais em 1984 que até hoje fica à margem esquerda da BR-222 e no início os administradores do povoado queriam tirar e os comerciantes só não saíram do local devido a intervenção do deputado Davi Alves Silvam onde o trecho da rodovia foi batizado de Avenida Davi Alves Silva.

Um lado lamentável para o progresso de Buriticupu foi quando a Companhia Vale do Rio Doce pediu para os administradores do povoado uma área para ser construído um conjunto funcional dotado de quadras poliesportivas, casas, centro educacional e, como contrapartida a empresa iria construir colégios, desenvolver projetos sócio-educativo-cultural e aproveitar uma grande quantidade de mão-de-obra local para ser treinados e empregados na própria CVRD; o pedido foi de imediato negado pelos administradores da colônia e até então, em uma conversa informal com um gerente da Fazenda Verona localizada em Bom Jesus das Selvas, o gerente perguntou aos engenheiros se uma área da fazenda era interessante ao projeto e de imediato os engenheiros responderam que sim. Bastou um telefonema para o proprietário Chico Rico e tudo foi resolvido com uma doação de 10 ha para que a CVRD desenvolvesse o projeto. Logo em seguida começou a construção, o município de Bom Jesus das Selvas tem diversos projetos apoiados e patrocinados pela CVRD e hoje a cidade de Buriticupu ficou apenas com o prejuízo, onde deixa de arrecadar impostos municipais em função do grandioso projeto, além de não dar uma maior condição de emprego aos moradores.

Após um longo período de colonização Buriticupu toma um novo rumo em meados de 1987 onde, o lavrador chamado Luis Soares Filho, o Vila Nova, com o apoio do Partido dos Trabalhadores e do Movimento dos Sem Terra, organiza os lavradores e começa uma verdadeira luta armada entre os colonos e os latifundiários que se protegiam com jagunços e tinham o apoio informal de políticos, policiais e pistoleiros da região. Um fato importante a ser citado foi a invasão da Fazendo terra Bela de propriedade do pecuarista Fernando Brasileiro onde lavradores armaram uma emboscada e mataram duas pessoas e feriu o gerente da fazendo. O pistoleiro Agenor também sofreu uma emboscada e foi encontrado às margens da BR-222 com quatro tiros, sinais de tortura, olhos furados, castrado e a cabeça esmagada por pauladas.

Em 1990 Buriticupu já é o maior povoado do Maranhão e juntamente com ele aparece o então lavrador Vila Nova como uma figura política de oposição onde começou sua vida pública coordenando o Movimento de Animação Cristã no Meio Rural, depois dirigiu por 9 anos o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e a Federação Estadual dos Trabalhadores Rurais de seu estado. Já no Maranhão criou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Esperantinópolis. Em 1982 tentou conciliar o trabalho com a política e em Imperatriz se candidatou a deputado estadual pelo PT, porém não foi eleito mais ganhou o apelido de Vila Nova porque morava naquele bairro da cidade. Em 1983 muda-se para Buriticupu onde fundou a Associação Cantareira e logo depois foi eleito presidente do diretório estadual do PT. Em 1985 tentou sem sucesso elerger-se prefeito de São Luis e um ano depois novamente perde a eleição para deputado estadual. Em 1988 foi candidato de oposição para a prefeitura de Santa Luzia do Tide e, apesar de ganhar em Buriticupu, perdeu na somatória geral dos votos. Contra Vila Nova pesa várias acusações como formação de grupo armado, comando da violência no campo, assassinato de fazendeiros e pistoleiros e depois de muitas acusações e ameaças de morte ele já vivia com pouca aparição em público. Em 1990 finalmente Vila Nova se elege deputado estadual pela PT e durante muito tempo comandou com maior velocidade as invasões de Terra. Nesse período ele foi bastante procurado pelo pistoleiro Deusdeth que mais tarde foi morto em uma troca de tiros com a polícia.

Em 1990 chega o Banco do Estado do Maranhão e um ano depois o Banco do Brasil. Nesse período já estava no auge o comércio em uma esquina conhecida como Pé-de-amêndoa que hoje é um dos principais pontos comercial daquele município. Em 1991 começa o sonho de emancipação política do maior povoado do Maranhão. Antes disso o primeiro requerimento pedindo tal feito foi encaminhado pelo deputado Yedo Flamarion Lobão à mesa da Assembléia Legislativa do estado do Maranhão no ano de 1983. Em 1991 o Tribunal Regional Eleitoral pede ao cartório eleitoral de Santa Luzia do Tide um levantamento da população do povoado que foi divulgado dia 23 de janeiro de 1992 com um total de 7.733 eleitores. Em 01 de outubro de 1993 os deputados Carlos Braide e Oséas Rodrigues entram com um requerimento na Assembléia que pela resolução legislativa N. 238/93 autoriza o TER a fazer o tão sonhado plebiscito para a criação do município de Buriticupu.

Um ano depois o atual presidente da república Luis Inácio Lula da Silva faz comício no dia 16 de abril de 1994 em campanha para presidente. O plebiscito eleitoral foi realizado dia 19 de junho de 1994 e 6.034 eleitores votaram sim, 86 votaram não, 65 votaram em branco, 44 anularam o voto em um total de 6.229 votantes. Depois do resultado positivo do plebiscito eleitoral surge a lei n. 6.162 de 10 de novembro de 1994 que criava o município de Buriticupu.

Os limites territoriais do Município são com: Santa Luzia do Tide, Arame, Amarante do Maranhão e com Bom Jardim.

Logo após a criação do município quase nada mudou e para mostrar que realmente queria descentralizar a administração, o prefeito de Santa Luzia do Tide Antônio Braide nomeou Simar Pereira Pinto para administrar o povoado e fiou até a sua morte em 29 de setembro de 1995 onde assumiu a administração o jovem Gildan Medeiros que ficou até a data da eleição de 1996. Para prefeito foram cinco os candidatos e 69 para as nove vagas para vereador municipal.

Os dois candidatos propícios a vencer a primeira eleição municipal de Buriticupu era o atual administrador Gildan de apenas 25 anos de idade e apoiado pelo maior chefe político da região Antonio Braide e, o outro era o maquiavélico político Raimundo Araújo, ex-vereador e apoiado por dois chefes da política e pistolagem no estado que eram os Deputados Davi Alves Silva e o deputado José Gerardo de Abreu. Com um discurso inflamado o candidato Raimundo Araújo chamava seu principal adversário de menino e o Gildan usava o discurso do adversário como principal arma para garantir a eleição. Ele costumava falar durante seus aplaudidos discursos que “Tenham-me os jovens como seu irmão, os pais como seu filho caçula e os vovôs como seu neto querido”. Em 03 de outubro de 1996 o candidato da coligação governando com o povo PRP/PTS, Antonio Gildan Medeiros, foi eleito com 2.776 votos o primeiro prefeito municipal da cidade de Buriticupu. A posse do prefeito e vereadores eleitos foi dia 01 de janeiro de 1997 em uma solenidade realizada na escola municipal Pe. Edmilson de Sousa Freire no bairro Terra Bela, onde diversas autoridades estiveram presentes.

Hoje Buriticupu conta com 20.839 habitantes, onde quase metade dos moradores mora na zona rural. Ele está situado na microrregião de Pindaré, na parte oeste do Maranhão e possui uma área de 2.731 km2 e fica a 420 km da capital do estado. Hoje os meios de transportes são bastante diversos podendo o visitante chegar pela Br-222 e pela MA-06

(estrada do Arame). Os visitantes podem chegar também por meio aéreo através do aeroporto municipal, estrada de ferro Carajás e os moradores ribeirinho utilizam em pequena escala os rios da região para se deslocarem.

E com tanta riqueza de conhecimento que gostaria que os bons leitores culturais tivesse também a oportunidade de ler esta importante publicação de Isaias Neres Aguiar, um maranhense de Olho d’Água das Cunhãs que em 1994 chega com sua família em Buriticupu e deixa o seu nome escrito na história e na cultura do povoado daquela cidade.

Autor - Weldyman Vitório de Sousa,

São Luís - MA 01 de setembro de 2003.

JORNAL PEQUENO, página 8

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Se tudo fosse flores...





















Se tudo fosse flores

tu desfilarias com teus pés entre margaridas todos os dias
e choveria pétalas de rosas por sobre teus cabelos
perfumando e acariciando tua pele

se tudo fosse flores
passaríamos os dias entre engarrafamentos de beija-flores
que voariam em volta de nós
beijando flores beijando

e as árvores seriam multicoloridas
vida ainda mais além do verde
vida nas tulipas
com que eu te presentearia diariamente
vida nas rosas e begônias
matar a sede com copos-de-leite
descansar abraçados entre os boganvilles
correr e brincar entre as flores do campo
brincar e abraçar e beijar

e ao final do dia
final de todo dia
eu chegaria em casa
sorrateiramente
te surpreenderia largada
nua sobre a cama
à minha espera
assim tão bela tentação
para oferecer a ti
eternas semprevivas.

AMARELA

ഫ്ലോര്‍ ബ്രില്‍ഹാന്റെ



segunda-feira, 26 de outubro de 2009

BALAIADA

A PROVÍNCIA DO MARANHÃO ENTRE 1838 - 1841

Entre os anos de 1838 e 1841, a Província do Maranhão foi abalada por vários levantes que atingiram também a vizinha Província do Piauí. Esses levantes receberam o nome geral de Balaiada porque um dos seus líderes, Manuel Francisco dos Anjos, fabricante e vendedor de balaios, era conhecido pelo apelido de "Balaio ".
Na época, a população total do Maranhão era de aproximadamente 200 mil habitantes, dos quais 90 mil eram escravos, além de uma grande massa de trabalhadores formada por sertanejos ligados à atividade pastoril e à lavoura. Nesse momento, o Maranhão enfrentava a crise da economia algodoeira.

Após a Guerra da Independência dos Estados Unidos da América, o algodão, principal produto de exportação da Província, passou a sofrer a concorrência do algodão norte-americano que voltara a dominar o mercado internacional.
Na Província do Maranhão, como na do Grão-Pará, o reconhecimento da Independência não se fizera de modo pacífico. Ao contrário, provocara conflitos entre colonos e portugueses, possibilitando que a massa de trabalhadores, formada pelas camadas mais pobres da população, pegasse em armas nas lutas então travadas. No entanto, apesar da Independência, a realidade dessas massas não se modificara. Continuavam marginalizadas e afastadas do poder político e econômico.
A REVOLTA DOS BALAIOS
Durante o Período Regencial a situação continuou tensa. A política da Província era marcada por disputas entre os bem-te-vis, que se opunham aos governistas, chamados pejorativamente de cabanos. A Balaiada começou a partir dos choques entre esses dois grupos, mas em pouco tempo ganhou autonomia, tornando-se um movimento das massas sertanejas.
Segundo Caio Prado Júnior, "na origem deste levante, vamos encontrar as mesmas causas que indicamos para as demais insurreições da época: a luta das classes médias, especialmente urbana, contra a política aristocrática e oligárquica das classes abastadas, grandes proprietários rurais, senhores de engenho e fazendeiros, que se implantara no país."
O grupo bem-te-vi, nome tirado do jornal O Bem-te-vi, representava a população urbana que se opunha aos abusos dos proprietários de terras e aos comerciantes portugueses. Os conflitos entre bem-te-vis e cabanos agravaram-se após a votação da chamada "lei dos prefeitos", .pela qual os governantes locais, os prefeitos, passaram a ter poderes imensos, inclusive o de autoridade policial.

Os cabanos, que estavam no poder, conseguiram maior controle da Província, nomeando seus partidários para o cargo de prefeitos, o que redundou em perseguição aberta aos bem-te-vis.
No Maranhão a insatisfação social era grande. Negros e mestiços constituíam a maior parte da população. Como aponta o historiador Arthur César Ferreira Reis, "Milhares de negros que fugiam aos maltratos dos senhores aquilombavam-se nas matas, de onde saíam para surtidas rápidas e violentas sobre propriedades agrárias." O movimento logo escapou do controle das camadas dominantes, transformando-se num levante dos setores mais humildes da Província.
O fato que costuma marcar o início da revolta ocorreu em dezembro de 1838, quando o vaqueiro Raimundo Gomes, um mestiço, conhecido como Cara Preta, passava pela Vila da Manga, levando uma boiada de seu patrão para vender em outro local. Na ocasião muitos dos homens que o acompanhavam foram recrutados e seu irmão aprisionado sob a acusação de assassinato.

O recrutamento obrigatório, uma das armas de que o Governo dispunha para controlar a população, sempre foi muito impopular, visto que recaía basicamente sobre os menos favorecidos, obrigados a qualquer momento a servir nas forças policiais ou militares. Raimundo invadiu a cadeia libertando não só seu irmão como os outros presos. A guarda não reagiu. Ao contrário, aderiu.

Disponível em: http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/1980410:BlogPost:45210. Acessado em 28/10/2009.

A greve de 1951: O povo contra as fraudes

A “Balaiada de São Luís”, como ficou conhecida, a greve de 1951, foi o mais formidável movimento urbano da história do Maranhão. Representou movimento popular amplo, radical e heterogêneo que mobilizou a “massa urbana” revoltada com as práticas fraudulentas e coronelescas de Victorino Freire, cujas conseqüências foram marcantes. A greve de 1951 ocorreu num cenário de acirramento intra-oligárquico e girou em torno do poder exercido por Victorino Freire que havia corrompido o processo eleitoral garantindo a vitória de seu candidato, Eugênio Barros. O pano de fundo que ensejou a greve de 1951, foi a disputa dos grupos políticos pelo controle do Estado, numa época de ascensão de novas lideranças políticas no Maranhão, ameaçando o poder de Victorino Freire.
Uma dessas lideranças era de Saturnino Belo, ex interventor e vice-governador, até então, aliado de Victorino. Ele apresenta a sua candidatura às eleições de 1951, contra o candidato vitorinista. Saturnino Belo era candidato das classes empresariais, conseguiu aglutinar no pleito, as siglas: PSD, PR, PSP, PL, UDN e o PTB, formando uma grande aliança partidária, em torno de sua candidatura, além de compor as “Oposições Coligadas”. Foi um dos principais protagonistas da greve de 1951. no enstanto, desde 1950 tinha sido preterido pelo oligarca maior do Estado, quando, uniu-se às “Oposições Coligadas”.
Por outro lado, o candidato vitorinista ao cargo de governador do Maranhão era o ex-prefeito de Caxias Eugênio Barros, que disputou a eleição pelo Partido Social Trabalhista – PST. O pleito foi cercado de expectativas e de denúncias de fraudes. Estava em jogo o poder de Victorino Freire no Estado. Aberta as urnas, o candidato das “Oposições Coligadas”, Saturnino Belo, saiu na frente, principalmente em São Luís. Estava ameaçada a vitória do candidato da oligarquia. Victorino Freire preocupado com o quadro eleitoral desvantajoso entra em cena: conseguiu anular via TER, 31 seções eleitorais, algo em torno de 16.000 votos, o suficiente para garantir a ultrapassagem de Eugênio Barros sobre Saturnino Belo e “vencer” o pleito com uma margem mínima de 6.000 votos.
A declaração do resultado pelo TER, acirrou os ânimos. A população de São Luís reagiu de forma violenta à posse de Eugênio Barros. Passeatas foram organizadas; piquetes e discursos inflamados foram feitos em praça pública; jornais foram empastelados; casas de juízes foram depredadas; até mesmo o prédio do TER foi queimado pelos rebeldes. Os “soldados da liberdade” agora iam à forra contra o poder fraudulento. Assim, o povo radicalizou suas ações, influenciado pelos oposicionistas.
Dentre eles estava, Neiva Moreira, fluente jornalista, líder do movimento, acusado injustamente de incendiar vários bairros como Caratatiua, Goiabal e Cavaco, provocando o desabrigo de centenas de pessoas, levando-as ao desespero. Este líder da greve de 51, era chamado de “Caramuru: Deus do fogo”.
Durante o desfecho do movimento, como estratégia, os rebeldes fecharam o porto de São Luís, diminuindo a oferta de alimentos no Estado. São Luís ficou totalmente paralisada por uma greve geral nos meses de fevereiro e março e posteriormente setembro e outubro. A morte do candidato das “Oposições Coligadas”, Saturnino Belo, ampliou os conflitos. Seu funeral foi acompanhado por aproximadamente 40 mil pessoas o que equivalia a 33% da população da capital.
Os ânimos se alteraram e as posições de ambos os lados tornaram-se radicais. Através da violência, as forças militares tentavam calar a multidão incontida. O conflito foi inevitável: houve mortos e feridos em praça pública demonstrando o despreparo policial e o desespero da oligarquia em abafar o movimento. Nem a vinda do Ministro Negrão de Lima e de tropas federais a São Luís, arrefeceram os ânimos. O poeta Nauro Machado, testemunha ocular, assim narrou a violência estabelecida na greve de 51: “Mudo, antes o tiroteio comeu alto, roçou de ponta a ponta: a lei falou sua fala. Sim, a fala-força dos fuzis, das balas, não belas, amarelas. Bolos de mortos. Para se ir à morte não é preciso passaporte. Um quieto domina a Praça Dom Pedro II. Gente morrida matada, corpo sangrando, lares sem pais, filhos, tudo, a prostituição. As gentes estavam rebeladas: a corrupção, as velhas estruturas, o caciquismo e o sindicato da fraude. Universidade da fraude (A mão maquiavélica de Victorino. ‘Uma porca será eleita, até pro senado, se ele desejar’- diziam) assim chamaram”.
“- Escuta esta, fala baixo, dizem que foi muita gente enterrada viva, só com a perna quebrada, por exemplo, mas era ordem superior. Moradores dali de junto do cemitério de São Pantaleão contam que ouviam os gemidos, os apelos”. (MACHADO. In CABRAL: 2206, 02).
Em meio à crise, o deputado César Aboud, assume o cargo de governador até o julgamento do mérito pelo TSE. Apesar da forte reação popular, foi confirmado e diplomado o candidato vitorinista Eugênio Barros. Em conseqüência disso, houve uma ampla mobilização popular contra a posse de Eugênio Barros, o que possibilitou uma intervenção federal do governo Vargas, através do Ministro Negrão de Lima acompanhado de perto por populares numa atitude de pressão de denuncismo. A intervenção promoveu inclusive o controle militar da capital, que foi ocupada por tropas do Ceará, Piauí, Pará e aviões da FAB, sob o comando geral do general Edgardino, comandante da 10ª Região Militar, que em represália ao movimento, impôs as seguintes determinações:

1. “Permitir reuniões públicas somente das 8 às 10h e das 17 às 19h, exclusivamente na Praça João Lisboa.
2. Proibir agrupamentos fora da Praça João Lisboa.
3. Proibir porte de armas mesmo as licenciadas.
4. Considerar como condição de hostilidade o porte de cassetetes, canos, pedras e outros objetos que possam servir para depredação.
5. Considerar desacato às suas ordens a propagação de boatos tendenciosos ou pregação de desordens, motins ou violências contra pessoas ou propriedades.
6. Proibir aos militares da ativa o uso de trajes civis durante o período de prontidão da tropa”. (MOREIRA: 1190, 43)
A estratégia adotada pelas oposições era o acirramento do conflito, com o apoio das camadas populares urbanas. A greve de 1951 tinha o apoio de trabalhadores, estudantes, classe média, políticos e até empresários, parte expressiva da população da capital que votará no candidato de oposição. Desse modo, enquanto as “Oposições Coligadas” obtiveram em São Luís, 20 mil votos, couberam apenas 3 mil sufrágios a Eugênio Barros, candidato vitorinista. Nesse contexto, o movimento alcançara grande repercussão nacional e internacional, transformando-se numa campanha de libertação contra o jugo vitorinista: era a “Balaiada Urbana”. São Luís, passa então, a ser considerada a “Ilha Rebelde”, jargão que virou mito, bastante alardeado nas campanhas políticas da atualidade. Além de São Luís, houve atos de rebeldia em cidades como São João dos Patos, Coroatá e Grajaú.
É importante ressaltar, além da presença do trabalhador urbano, a grande contribuição das mulheres que tiveram participação expressiva no movimento, denunciando a fraude e coletando alimentos e dinheiro para minorar o sofrimento das vítimas dos incêndios, contribuindo inclusive, para garantir a permanência da população no processo de mobilização. O saldo mais triste da greve de 1951 foi o assassinato, pelas forças militares, de vários jovens sonhadores, dentre eles: João Moreno, João Evangelista de Sousa e José de Ribamar Prado, este último de apenas 17 anos.

Artigo extraído do livro "Conhecendo e Debatendo a História do Maranhão"
(Joan Botelho).

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Praça da Cultura, Buriticupu - MA



Revolução Industrial

A substituição das ferramentas pelas máquinas, da energia humana pela energia motriz e do modo de produção doméstico pelo sistema fabril constituiu a Revolução Industrial; revolução, em função do enorme impacto sobre a estrutura da sociedade, num processo de transformação acompanhado por notável evolução tecnológica.
A Revolução Industrial aconteceu na Inglaterra na segunda metade do século XVIII e encerrou a transição entre feudalismo e capitalismo, a fase de acumulação primitiva de capitais e de preponderância do capital mercantil sobre a produção. Completou ainda o movimento da revolução burguesa iniciada na Inglaterra no século XVII.

Etapas da industrialização

Podem-se distinguir três períodos no processo de industrialização em escala mundial:

1760 a 1850 – A Revolução se restringe à Inglaterra, a "oficina do mundo". Preponderam a produção de bens de consumo, especialmente têxteis, e a energia a vapor.

1850 a 1900 – A Revolução espalha-se por Europa, América e Ásia: Bélgica, França, Ale¬manha, Estados Unidos, Itália, Japão, Rússia. Cresce a concorrência, a indústria de bens de produção se desenvolve, as ferrovias se expandem; surgem novas formas de energia, como a hidrelétrica e a derivada do petróleo. O trans¬porte também se revoluciona, com a invenção da locomotiva e do barco a vapor.

1900 até hoje – Surgem conglomerados industriais e multinacionais. A produção se automatiza; surge a produção em série; e explode a sociedade de consumo de massas, com a expansão dos meios de comunicação. Avançam a indústria química e eletrônica, a engenharia genética, a robótica
Artesanato, manufatura e maquinofatura

O artesanato, primeira forma de produção industrial, surgiu no fim da Idade Média com o renascimento comercial e urbano e definia-se pela produção independente; o produtor possuía os meios de produção: instalações, ferramentas e matéria-prima. Em casa, sozinho ou com a família, o artesão realizava todas as etapas da produção.
A manufatura resultou da ampliação do consumo, que levou o artesão a aumentar a produção e o comerciante a dedicar-se à produção industrial. O manufatureiro distribuía a matéria-prima e o arte¬são trabalhava em casa, recebendo pagamento combinado. Esse comerciante passou a produzir. Primeiro, contratou artesãos para dar acabamento aos tecidos; depois, tingir; e tecer; e finalmente fiar. Surgiram fábricas, com assalariados, sem controle sobre o produto de seu trabalho. A produtividade aumentou por causa da divisão social, isto é, cada trabalhador realizava uma etapa da produção.
Na maquinofatura, o trabalhador estava sub¬metido ao regime de funcionamento da máquina e à gerência direta do empresário. Foi nesta etapa que se consolidou a Revolução Industrial.

O pioneirismo inglês

Quatro elementos essenciais concorreram para a industrialização: capital, recursos naturais, mercado, transformação agrária.
Na base do processo, está a Revolução Inglesa do século XVII. Depois de vencer a monarquia, a burguesia conquistou os merca¬dos mundiais e transformou a estrutura agrária. Os ingleses avançaram sobre esses mercados por meios pacíficos ou militares. A hegemonia naval lhes dava o controle dos mares. Era o mercado que comandava o ritmo da produção, ao contrário do que aconteceria depois, nos países já industrializados, quando a produção criaria seu próprio mercado.
Até a segunda metade do século XVIII, a grande indústria inglesa era a tecelagem de lã. Mas a primeira a mecanizar-se foi a do algodão, feito com matéria-prima colonial (Estados Uni¬dos, Índia e Brasil). Tecido leve, ajustava-se aos mercados tropicais; 90% da produção ia para o exterior e isto representava metade de toda a exportação inglesa, portanto é possível perceber o papel determinante do mercado externo, principalmente colonial, na arrancada industrial da Inglaterra. As colônias contribuíam com matéria-prima, capitais e consumo.
Os capitais também vinham do tráfico de escravos e do comércio com metrópoles colonialistas, como Portugal. Provavelmente, metade do ouro brasileiro acabou no Banco da Inglaterra e financiou estradas, portos, canais. A disponibilidade de capital, associada a um sistema bancário eficiente, com mais de quatrocentos bancos em 1790, explica a baixa taxa de juros; isto é, havia dinheiro barato para os empresários.
Depois de capital, recursos naturais e merca¬do, vamos ao quarto elemento essencial à industrialização, a transformação na estrutura agrária após a Revolução Inglesa. Com a gentry no poder, dispararam os cercamentos, autorizados pelo Parlamento. A divisão das terras coletivas beneficiou os grandes proprietários. As terras dos camponeses, os yeomen, foram reunidas num só lugar e eram tão poucas que não lhes garantiam a sobrevivência: eles se transforma¬ram em proletários rurais; deixaram de ser ao mesmo tempo agricultores e artesãos.
Duas conseqüências se destacam: 1) diminuiu a oferta de trabalhadores na indústria doméstica rural, no momento em que ganhava impulso 0 mercado, tornando-se indispensável adotar nova forma de produção capaz de satisfazê-lo; 2) a proletarização abriu espaço para o investimento de capital na agricultura, do que resultaram a especialização da produção, o avanço técnico e o crescimento da produtividade.
A população cresceu, o mercado consumidor também; e sobrou mão-de-obra para os centros industriais.

Mecanização da Produção

As invenções não resultam de atos individuais ou do acaso, mas de problemas concretos coloca¬dos para homens práticos. O invento atende à necessidade social de um momento; do contrário, nasce morto. Da Vinci imaginou a máquina a vapor no século XVI, mas ela só teve aplicação no ,século XVIII.
Para alguns historiadores, a Revolução Industrial começa em 1733 com a invenção da lançadeira volante, por John Kay. O instrumento, adaptado aos teares manuais, aumentou a capacidade de tecer; até ali, o tecelão só podia fazer um tecido da largura de seus braços. A invenção provocou desequilíbrio, pois começa¬ram a faltar fios, produzidos na roca. Em 1767, James Hargreaves inventou a spinning jenny, que permitia ao artesão fiar de uma só vez até oitenta fios, mas eram finos e quebradiços. A water frame de Richard Arkwright, movida a água, era econômica mas produzia fios grossos. Em 1779, S Samuel Crompton combinou as duas máquinas numa só, a mule, conseguindo fios finos e resistentes. Mas agora sobravam fios, desequilíbrio corrigido em 1785, quando Edmond Cartwright inventou o tear mecânico.
Cada problema surgido exigia nova invenção. Para mover o tear mecânico, era necessária uma energia motriz mais constante que a hidráulica, à base de rodas d’água. James Watt, aperfeiçoando a máquina a vapor, chegou à máquina de movi¬mento duplo, com biela e manivela, que transformava o movimento linear do pistão em movimento circular, adaptando-se ao tear.
Para aumentar a resistência das máquinas, a madeira das peças foi substituída por metal, o que estimulou o avanço da siderurgia. Nos Esta¬dos Unidos, Eli Whitney inventou o descaroça¬dor de algodão.

Revolução Social

A Revolução Industrial concentrou os trabalhadores em fábricas. O aspecto mais importante, que trouxe radical transformação no caráter do trabalho, foi esta separação: de um lado, capital e meios de produção (instalações, máquinas, matéria-prima); de outro, o trabalho. Os operários passaram a assalariados dos capitalistas (donos do capital).
Uma das primeiras manifestações da Revolução foi o desenvolvimento urbano. Londres chegou ao milhão de habitantes em 1800. O progresso deslocou-se para o norte; centros como Manchester abrigavam massas de trabalhadores, em condições miseráveis. Os artesãos, acostumados a controlar o ritmo de seu trabalho, agora tinham de submeter-se à disciplina da fábrica. Passaram a sofrer a concorrência de mulheres e crianças. Na indústria têxtil do algodão, as mulheres formavam mais de metade da massa trabalhadora. Crianças começavam a trabalhar aos 6 anos de idade. Não havia garantia contra acidente nem indenização ou pagamento de dias para-dos neste caso.
A mecanização desqualificava o trabalho, o que tendia a reduzir o salário. Havia freqüentes paradas da produção, provocando desemprego. Nas novas condições, caíam os rendimentos, contribuindo para reduzir a média de vida. Uns se entregavam ao alcoolismo. Outros se rebelavam contra as máquinas e as fábricas, destruídas em Lancaster (1769) e em Lancashire (1779). Proprietários e governo organizaram uma defesa militar para proteger as empresas.
A situação difícil dos camponeses e artesãos, ainda por cima estimulados por idéias vindas da Revolução Francesa, levou as classes dominantes a criar a Lei Speenhamland, que garantia subsistência mínima ao homem incapaz de se sustentar por não ter trabalho. Um imposto pago por toda a comunidade custeava tais despesas.
Havia mais organização entre os trabalhadores especializados, como os penteadores de lã. Inicialmente, eles se cotizavam para pagar o enterro de associados; a associação passou a ter caráter reivindicatório. Assim surgiram as tradeunions, os sindicatos. Gradativamente, conquistaram a proibição do trabalho infantil, a limitação do trabalho feminino, o direito de greve.

Bibliografia:
História Geral - Aquino, Denize e Oscar - Ed. Ao Livro Técnico
Toda a História - José Jobson Arruda - Ed. Ática
História - Luiz Koshiba - Ed. Atual